Oblivion

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

The binary architecture of solitude
Enlivens and smothers the multifaceted
Marvel of hopeless love
Drowning me in the low cold waters
That cruelly surrounds the Lethe
Effacing my distorted memories
And gently leading me down
To the wintry grave of forgetfulness
To the warmless embrace of oblivion.

Le Chevalier Mal Fet

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Feliz daquele que,
Em regozijo, abraça o par
Que a alma lhe completa e dá vida
E desagua-se em comunhão absoluta
Como a onda se entrega ao mar.

Mas, Destino traiçoeiro,
Dizei-me, como hei de sê-lo,
Se de teus ardis fui vítima desonrada
E, na penumbra da noite dolorosa,
Fizeste-me agir sem prudente zelo?

De minha corte, de minha felicidade
Fui cruelmente desposado
Clamo em meu exílio "Guinevère, Guinevère"
E responde-me o destino com silêncio lancinante
Prelúdio da morte de um amor amaldiçoado.

Prantos amplificados pelo desespero
Seguiram-se aos inconscientes caprichos do pecado
As notas da angustiante melodia entoada
Pelo sofrimento perene e sempre-renovado
Hão de lograr-me imperiosamente a companhia
Em meus desolados e intermináveis dias
De cavaleiro renegado.

Vale dos Homens

domingo, 17 de junho de 2012

Esculpido em ônix permaneço
Impermanentemente o mesmo.
Ao desejo de voar substitui-se
O medo de eternamente rastejar
No perecível vale dos homens.

À morte de meu ego declaro
Guerra, mas pereço assim mesmo,
Sem nunca os pés tirar
Dessa vil e miserável terra.

Pois que tenho em mente
Senão desejos profanos?

E nesta manhã de outono
Vejo-me pendendo com as folhas
E levanto e caio
E levanto e caio,

Inutilmente alimentando
Esperanças de um além-tempo,
Além-ego, além-verso,
Além-mim-mesmo. Mas,

Esculpido em ônix permaneço
Impermanentemente o mesmo.
Ao sonho de voar substitui-se
A certeza de eternamente rastejar
No perecível vale dos homens.

Pois que tenho em mente
Senão desejos profanos?

Necromante

domingo, 4 de março de 2012

Onde antes habitou uma ferida
Apresenta-se uma fera morta e renascida
Respirando as cinzas do castelo que ardera
Engasgada com os álgidos cacos do sentimento
Que ao longo dos séculos foi seu único alento
Mas agora jaz meio caída, moribunda
Com o necromante a aguardar de soslaio
No sopé de uma torre que foge do céu
Escondendo-se numa depressão profunda
Negra, consumida pelo fogo de outrora
Em contraste sombrio com as cores vivas da aurora
Revelando pecado, vaidade e indolência
Mas a fera sobrevive com veemência
Respirando as cinzas do castelo que ardera
Engasgada com os álgidos cacos do sentimento
Que ao longo dos séculos foi seu único alento
Ao lado das lágrimas que pendiam pelo amor que perdera.

Duas Dezenas e Um Janeiro

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O tempo de hoje adormeceu
Com o fantasma do amanhã pairando no ar
Com os ventos cruéis que sopram do mar
Trazendo o frio que congela minha garganta
E a ponta da foice que não me permite gritar
Não me permite cantar, não me permite correr
Não me permite morrer, não me permite matar
Apenas contemplar aquilo que um dia foi festa
E que, hoje, nada disso resta
Com o fantasma do amanhã ainda pairando no ar
Oferecendo-me desolação, solidão, vinho barato
E nenhum lugar para ficar.

Angerona

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A tudo entendes
E os poucos compreendem
Que és uma expressão da alma
Tão ilimitada e intangível

Sem as fronteiras que te prendem
Às margens da sanidade
Às verossimilhanças e mentiras
Só aceitas a verdade

Resposta dada aos juízes
Ao Estado prepotente
Aos virtuosos sofistas
Aos tão sábios eruditos

És a minha solidão
Que é tão bem acompanhada
Por mim e por si mesma
Enquanto danço teu no harmônico ritmo

Grito-te às estrelas
Que me retornam o mesmo grito
Sussurro-te aos comuns
Que me retornam seus agitos

E sempre continuas eloqüente
Nunca ouvi tão bela retórica
Nunca recebi tão sábio conselho
Ainda não compuseram mais doce canção!

Gatinho de Cheshire

sábado, 18 de junho de 2011

Voando por entre bosques vivos
De pura fantasia onírica
Coelhos, loucos, grifos
Das flores se escutam risos
Wonderland cheia de riscos!
E quando vinha o fim do dia
Teu sorriso sem rosto se confundia
Com a Lua majestosa e solitária
Mas que logo de vista desaparecia
Pra qualquer lugar: Espanha, França, Itália
E por horas não mais voltava
Deixando uma doce nostalgia
Do momento em que você
Tão alegremente
Sorria.

By: Lucas